
O Benfica perde os dois troféus de real valor que ainda podia ganhar esta época, nas meias-finais da Taça de Portugal e da Europa League, frente ao F.C.Porto e S.C. Braga, respectivamente. Dizem alguns analistas, que perdeu ambos por erros do treinador, Jorge Jesus. Até concordo, mas não me parece que seja só a questão física (que é notória, obviamente), ou por determinado jogador ter entrado demasiado tarde ou por outro que não devia ter saído. Acho que vai muito para além disso. Em conferência de imprensa (antevisão do jogo frente ao Braga), Jorge Jesus disse com toda a naturalidade que "O Benfica vai jogar ao ataque, até porque não sabe jogar de outra forma, é o nosso modelo de jogo e características dos jogadores que temos". Ora, mas deverá uma equipa ter uma única forma de jogar? Defendo que sim, mas com as devidas adaptações ou, então, tem de ser capaz de controlar/perceber os diferentes momentos do jogo (gerir ritmos). Confesso que me incomoda, cada vez que vejo o Benfica jogar, parecer-me que os jogadores jogam todos sentados num Ferrari, como que se cada lance fosse em contra-relógio. Não me refiro a isto apenas agora, em que o Benfica já é muito criticado, mas também quando disputava a Champions, e na época passada, pela forma como foram afastados da Europa League em Anfield Road.
De facto, uma equipa não deve contrariar aquilo que é a sua natureza/filosofia de jogo, resta saber se ela é a melhor e a mais adequada, de forma a poder dominar um jogo... controlando-o. Parece o mesmo, mas não é. O Benfica não tem a capacidade, na minha opinião, de diminuir o ritmo a que constrói o seu momento ofensivo (nota-se, sobretudo, na zona de construção), fazendo com que crie, muitas vezes, a ilusão de controlo do jogo, quando apenas está... a dominar. Repare-se que perde duas eliminatórias, nas quais já trazia uma vantagem prévia, revelando a incapacidade de jogar da mesma forma e de acordo com a sua identidade, como pretendia Jorge Jesus, mas... mais devagar, de forma mais controlada, correndo menos riscos. Penso que talvez falte uma coisa muito simples, um médio de transição puro, que se encontra lesionado, algures no plantel encarnado. Rúben Amorim.