
Cada país, cada cidade, tem a sua realidade. Leia-se, os seus ícones, os seus karmas e kryptonites, as suas ideias, culturas e costumes. No futebol, as equipas obedecem à mesma lógica. Como no FC Porto os adeptos põem a tv aos berros quando Pinto da Costa fala, no Benfica pode-se ir ver um jogo quase aos confins do planeta que parece que nunca se está a jogar fora. Cada equipa, cada realidade.
Villas-Boas chega ao Chelsea e toca nos cabides reservados do balneário, principalemente em Terry, Drogba e Lampard. Antes de ter o modelo de jogo em mente, tem que ter a chave do balneário no bolso, com os cabides certos dados às pessoas certas. Com isto não quero dizer que o treinador não deva ser o líder, aliás, a questão reside precisamente aí. Só se pode ser um bom líder se se tiver a confiança/lealdade dos jogadores. Se aqueles que guardam a chave do balneário não estão com o treinador, a equipa dificilmente estará.
Faltou, na minha opinião, a capacidade a Villas-Boas de entender a realidade do clube, e de a respeitar, sobretudo, aquilo que Mourinho tão bem faz. Só depois deste primeiro passo se pode pensar no jogo jogado.
Agora no Tottenham, fico perplexo com este início que me parece de novo errado. Renunciar à influência de Van der Vaart, um dos pilares da equipa, e contratar Hugo Lloris com o eterno Friedel e Gomes para a baliza dos Spurs, é meio caminho andado para nunca mais segurar a equipa tático-emocionalmente. Existe também a hipótese de esses jogadores estarem contra o treinador, e aí sim, terem de sair. No entanto, não me parece que seja o caso. Esperemos, claro, que eu esteja errado.
Experimentem pensar num treinador a chegar ao Porto e dispensar Hélton, ou ao Sporting e pôr Patrício no banco de suplentes. Sucesso? Ignorando questões técnicas e pensando na influência dos jogadores, acho difícil.
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